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Sobre o Blog

O blog Alma de Turista foi criado para ajudar e entreter qualquer um que queira planejar (nem que seja mentalmente, por enquanto) uma viagem. Para isso compartilharemos nossas experiências enquanto turistas, exploraremos lugares que ainda não vimos pessoalmente e disponibilizaremos todo o tipo de informação que julgarmos interessante e relevante.

Quaisquer sugestões, dicas , relatos, etc. que contribuam com o nosso objetivo são bem-vindos!

Checkpoint Charlie – Berlim

  • Foto do escritor: almadeturista
    almadeturista
  • 23 de set. de 2018
  • 3 min de leitura

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Checkpoint Charlie em Berlim, Alemanha

Como chegar: mapa Acesso livre e gratuito

Checkpoint Charlie era um dos postos de fronteira, localizados entre a porção ocidental e oriental de Berlim, durante a Guerra Fria. Apenas nestes locais, era possível atravessar legalmente de um lado para o outro da cidade. Desde que você tivesse autorização, obviamente.

Em 1961, dez dias após a construção do Muro de Berlim (Berliner Mauer), foram definidos 8 pontos de travessia: 7 em ruas e um na estação de trem Friedrichstraße. Dentre estes, o Checkpoint Charlie era a principal entrada para diplomatas, jornalistas e estrangeiros.

Além disso, era ali que membros das forças armadas aliadas (Americana, Britânica e Francesa) registravam-se antes de atravessar para Berlim Oriental.

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Uma vez na República Democrática Alemã (Berlim oriental), os visitantes tinham acesso restrito às áreas e estações de trem mostradas na imagem

Os vistos podiam ser concedidos apenas aos moradores do lado ocidental e tinham validade de um dia. Antes de atravessar, os visitantes autorizados tinham que trocar uma quantidade pré-estabelecida da moeda ocidental (Marco Alemão) pela oriental. Essa troca não era das mais vantajosas, pois além de sofrer com uma taxa de câmbio desfavorável, não era permitido, ao voltar para o lado ocidental, ficar com o dinheiro excedente.

O que fazer no Checkpoint Charlie

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A cabine existente hoje, no Checkpoint Charlie, é uma réplica

Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, a estrutura do posto de fronteira foi removida. A cabine original, na qual ficavam os guardas, foi transferida para o Museu dos Aliados (Allierten Museum), onde está até hoje.

Atualmente, ao visitar o Checkpoint Charlie, encontramos uma réplica desta cabine e também da placa de aviso que existia na fronteira. No alto de um ‘poste’ de metal há fotografias de um soldado soviético e de um americano, de forma que cada um ‘observa’ o lado inimigo. Uma faixa de paralelepípedo, por sua vez, marca o local exato em que havia a antiga separação entre o lado capitalista e o socialista.

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Réplica da placa que havia na fronteira entre o setor americano e soviético de Berlim. A original está no museu ao lado do Checkpoint Charlie: Mauermuseum

Em frente à cabine, ficam pessoas vestidas como os soldados da época. Você pode tirar fotos com eles se pagar alguns euros (3 se não me engano). Por outros 5 euros você pode levar um papel bonito com 7 carimbos históricos (há uma opção mais cara e com mais carimbos, também). Se for dos turistas mais ‘ousados’, pode pedir para carimbarem direto no seu próprio passaporte. Eu fiquei com a papel bonito mesmo.

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A partir de 5 euros, você obtém os carimbos históricos do período.

Tudo isso fica no meio da rua de mão dupla, em um pequeno (mesmo) espaço cimentado. Por isso, cuidado ao atravessar e boa sorte com as fotos (invadidas por carros e ônibus).

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Checkpoint Charlie ainda é um cantinho americano em Berlim

Bandeiras americanas, Mc Donald’s, KFC. O Checkpoint Charlie ainda é um ‘território’ americano em plena Friedrichstraße.

Vai Corinthians?

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Se quiserem ouvir um “Vai Corinthians” em Berlim, é só trocar uma ideia com o ‘soldado’ sorridente da foto

Ao chegar ao Checkpoint Charlie, já fiquei alerta. Por quê? Se você for corinthiano ou, como é meu caso, tiver um namorado corinthiano, provavelmente já deve ter visto o vídeo de um ‘soldado’ alemão exaltando o Corinthians e tirando sarro dos outros times brasileiros. Onde isso aconteceu? Yep, Checkpoint Charlie.

E não é que lá estava o mesmo indivíduo, tirando fotos com os turistas. Eu, muito ‘desinibida’ que sou, só fiquei observando.

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Turista estiloso e ‘pouco chamativo’ tirando foto com os ‘soldados’ no Checkpoint Charlie

Bem, resolvi garantir meus carimbos enquanto reunia energia para conversar com o tal corinthiano. Aí outra surpresa, o ‘guarda’ que carimbava os passaporte me perguntou de onde era. Brasil. Aí ele me desembesta a falar português, com um sotaque diferente, mas totalmente inteligível!

De onde ele era? Polônia. Tinha vindo para a Alemanha há algum tempo e como já estava dominando o idioma local, resolveu aprender outra língua. Tudo isso estudando sozinho. Inspirador! É tão difícil achar quem tenha real interesse em aprender qualquer coisa.

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Nessa mesinha com os dizeres “Visa Stamp”, você consegue os carimbos históricos e, caso seja o turno do ‘soldado’ polonês, pode pedir em português mesmo

Perguntei então se o outro ‘soldado’ era o tal corinthiano do vídeo. O polonês já o chamou e falou que éramos brasileiras e que gostávamos do Corinthians (infâmia!). Perguntei se poderia filmá-lo para mostrar depois para o pai e namorado torcedores.

Super simpático, o ‘soldado’ alemão, com cara e sotaque de italiano, fez toda a cena de novo.

Quem era Charlie?

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Pois é…Charlie não é o soldado da foto

Ninguém. O nome Checkpoint Charlie não faz referência a nenhum ser chamado Charlie, e sim ao alfabeto fonético da OTAN. Neste alfabeto, a letras são representadas por códigos: A, alfa; B, Bravo; C, Charlie; etc..

E sim, existiam também os Checkpoints Alfa e Bravo, localizados próximo a Helmstedt e a Drewitz, respectivamente.

Crise de Berlim (Berlin Crisis)

Em agosto de 1961, o Checkpoint Charlie presenciou um dos momentos mais tensos da Guerra Fria: por 16 horas tanques americanos e soviéticos ficaram frente a frente em um confronto silencioso. Qualquer mínima alteração nesse equilíbrio instável poderia, muitos creem, culminar na 3ª Guerra Mundial.

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Crise de Berlim. Os tanques soviéticos e americanos frente a frente no Checkpoint Charlie Fonte: http://www.visitberlin.de

A causa? Os soviéticos começaram a descumprir o acordo que permitia o livre acesso dos diplomatas americanos à Berlim Oriental e, quando barraram um que ia ao teatro, extrapolaram a tolerância americana.

A partir daí, foi um jogo entre os super egos militares (para variar né). Na última rodada, ao darem all-in com seus tanques de guerra, somente um acordo entre os líderes das nações acabaria com a perspectiva sombria. Felizmente, Berlim não era vital aos interesses dos Estados Unidos. Assim, o então presidente Kennedy preferiu chegar a um acordo pacífico. Os tanques voltaram com os rabos entre as rodas, cada um para seu lado, e a guerra felizmente continuou fria.

Se quiser saber mais sobre isso: cá está um bom link.

 
 
 

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